Entrevista exclusiva
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“Cesta Básica deve ficar mais cara em 2018”, diz economista

Energia elétrica, gás de cozinha, transporte, combustível e o reajuste do salário mínimo, são variáveis essenciais para a sobrevivência. Quanto o brasileiro precisa ganhar para viver com dignidade?   O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) confirma que a inflação oficial do país fechou 2017 em 2,95%, abaixo do piso estipulado pelo governo, […]

Energia elétrica, gás de cozinha, transporte, combustível e o reajuste do salário mínimo, são variáveis essenciais para a sobrevivência. Quanto o brasileiro precisa ganhar para viver com dignidade?  

Aurélio Troncoso, economista, professor na ALFA, Presidente da Rede de Monitoramento do Cidadão, Conselheiro no CORECON e Economista da Democrativa

Aurélio Troncoso, economista, professor na ALFA, Presidente da Rede de Monitoramento do Cidadão, Conselheiro no CORECON e Economista da Democrativa.

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) confirma que a inflação oficial do país fechou 2017 em 2,95%, abaixo do piso estipulado pelo governo, de 3%. A taxa de juros que era 14,25%, atualmente está em 7%, ou seja, caiu mais da metade.

Segundo o professor de economia Aurélio Troncoso da Faculdade Alves Faria (ALFA) isso faz com que o país tenha um desempenho melhor e comece a sair da recessão econômica. A produção de alimentos e bebidas tiveram redução de preço e ajudaram a puxar a inflação para baixo, a redução da taxa de juros colaborou para o retorno dos empresários.

Segundo a análise do economista Aurélio Troncoso, a baixa da inflação se deu porque o brasileiro parou de consumir, “Afinal ainda são 14 milhões de desempregados; uma parcela da população parou de comprar porque perdeu o emprego” – pontua.

Para o professor, o cenário econômico está em um patamar onde temos uma inflação que deve girar no máximo até 4,2% dentro da linha de conduta estabelecida pelo governo. As projeções indicam que em 2018 a situação pode sim melhorar.

Cesta Básica – “preço depende da safra”, diz o governo

A cesta básica teve queda substancial no ano passado, alguns produtos alimentícios colaboraram para isso. No primeiro trimestre deste ano poderá ter aumento os alimentos e bebidas. “Tivemos uma safra boa em 2017, mas em 2018 não sabemos se o fenômeno se repetirá, esta é a justificativa que o governo aplica ao aumento”, adiciona o professor.

A Cesta Básica não permanecerá estável durante o ano, por isso ela é fundamental no aumento ou na baixa da inflação. Não estamos em processo inflacionário e nem em variação em relação aos alimentos como nos três últimos anos, que mais parecia uma montanha russa de preços.

Cesta Básica no bolso do brasileiro

“Com esse salário o povo mal se alimenta, não podem ficar doentes porque a rede pública não comporta todo mundo” - Vila Oliveira, profissional da área da segurança.

“Com esse salário o povo mal se alimenta, não podemos ficar doentes porque a rede pública não comporta todo mundo” – Deusvane Chaves, Vila Oliveira, profissional da área da segurança.

Os itens que colaboraram para a queda de preços da cesta básica em 2017, foram estes: feijão 5,14%, carne bovina 0,13% e o arroz 1,64%. Troncoso lembra que quase todos os itens da cesta tiveram diminuição no preço, mas estes três, foram mais consideráveis, “o pão francês praticamente não teve aumento”.

Em dezembro de 2017, o salário mínimo era 937 reais, e a cesta básica custava 298,36 reais de acordo com o IMB (Instituto Mauro Borges de Estatísticas e Institutos Econômicos). A participação do salário mínimo na cesta básica era de 31, 84%, ou seja, gastava-se quase trinta e dois porcento do salário para comprar alimentos. Com o reajuste deste ano, 954,00 reais, Aurélio, prevê o custo da cesta em torno de 302 reais, uma média de 34% do salário mínimo. “Não teremos nada consideravelmente alto nos preços da cesta básica”, resume.

Gás de cozinha e energia elétrica

Eu acho esse salário uma vergonha, e a cesta básica está cada dia mais apertado no orçamento da minha família” – Leila Campos, diarista.

“Eu acho esse salário uma vergonha, e a cesta básica está cada dia mais apertado no orçamento da minha família” – Leila Campos, diarista.

O gás de cozinha subiu de 45 para 75 reais, quase dobrou de preço. “O gás não é alimento, mas é essencial para preparar o alimento, o impacto foi sentido no bolso das pessoas. Segundo o meu cálculo são 18,6% no bolso do trabalhador; e ainda há energia elétrica e transporte que consomem mais de vinte porcento do salário mínimo. Agora vejamos, 31.84% de cesta básica, mais 18,06% de energia, transporte e gás, isso já soma mais de cinquenta por cento do salário”, considera, o economista.

Gasolina

O combustível influencia diretamente em quase todas as transações comerciais e industriais. “Quando sobe o preço do petróleo, altera subprodutos, como, óleo diesel, pneus e embalagens e outros derivados do petróleo. O Brasil não é autossuficiente em todos os petróleos, precisa comprar petróleo fora. Mesmo com preço do barril estável, ainda precisa gastar comprando mais barris lá fora, assim o governo acaba vendendo caro no seu próprio território. É um absurdo pagarmos 4,49 num litro de gasolina, isso é o governo tentando recuperar uma empresa que foi dilapidada por alguns partidos políticos”, – explica o entrevistado, prevendo o aumento contínuo em 2018.

“Costumo dizer que o que aumenta no Brasil são produtos administrados pelo próprio governo, como óleo diesel, gás de cozinha, energia elétrica, entre outros. Esse processo inflacionário nosso é gerado pelo governo e não pela população” – Aurélio Troncoso

Será que a passagem de ônibus irá aumentar?

“Aluguel, água, luz, as vezes medicação e outros, sem falar em roupas e calçados, salário mínimo de hoje não dá”, - Nilva Maria, dona de casa, moradora do Setor Nova Cidade, Aparecida de Goiânia,

“Aluguel, água, luz, as vezes medicação e outros, sem falar em roupas e calçados, salário mínimo de hoje não dá”, – Nilva Maria, dona de casa, moradora do Setor Nova Cidade, Aparecida de Goiânia.

Carnaval é em fevereiro, o cidadão vai curtir o feriado e geralmente fica despercebido ao que acontece na administração pública. Ao retornar do feriado, é surpreendido com aumento de tarifa do transporte. “Prevejo que as tarifas de ônibus urbano e interestadual irão subir. Se a inflação fechou o ano com 2,95%, então no mínimo o aumento será em torno desses 2,95%” – prevê, Aurélio.

“As justificativas que geralmente as empresas de ônibus passam, é aumento de combustível, depreciação dos veículos, salário dos motoristas, inflação, e tudo que compõe o custo das instituições. Eles calculam quanto está custando para transportar o cidadão e quanto estes mesmos iram pagar” – continuou o economista.

Quanto deveria ser o salário mínimo em uma família de quatro pessoas?

Cerca de 45 milhões de pessoas no Brasil recebem salário mínimo, “Deveria ser em 3.500 reais. Se os reajustes acontecessem de forma correta desde os anos 70, hoje o salário mínimo seria de quase 3.600 reais. O problema é que todo governo que entra, reduz o ganho real do trabalhador, que dedica 70 horas e 3 minutos por mês para pagar a cesta básica.”, finaliza.

Fonte. Ana Paula Arantes

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Escrito por Daniel Carvalho

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